Boulevard Of Broken Dreams

Na rua apertada o toque das outras pessoas sufoca-me. Só te queria a ti. Mas não posso, e não sei se quero. As pessoas são tão frias que chocam na rua umas com as outras só para sentir algum calor. É como se fossem pequenos bonecos, controlados por crianças mimadas que não sabem o que querem. E vão contra mim, e eu deixo-me levar na multidão, porque nada mais interessa. E por vezes é no sorriso de um estranho que encontro o conforto, e é nos braços de um desconhecido que encontro protecção. Mas é tudo tão frágil e frio. Tudo tão ensaiado. As pessoas usam mascaras todos os dias, e é isso que as torna tristes e vazias por dentro. Com o tempo aprende-se a mentir , e a usar essa máscara como protecção. E é também com o tempo que se perde o verdadeiro significado das coisas. Os sorrisos dos amigos já não são verdadeiros, a pureza desapareceu e a máscara cobre o que antes era sentimento verdadeiro. E eu vagueio. E é bom sentir a chuva na cara, é das poucas coisas que me faz sentir viva. É o empurrão constante da multidão que me faz querer fugir do mundo. Tudo é falso, tudo é enganador, e nada parece despertar a vida. Os olhares das pessoas são apagados, parece que já ninguem tem fogo de viver, vontade de gritar e dançar á chuva e rebolar na relva! E parece que o mundo perde cor a cada dia que passa. Mas a rua continua cheia, cheia de corpos, mas vazia de vidas! E as horas passam, e os dias passam. E é assim, de repente acordamos e reparamos que metade da vida já passou, e que já não somos crianças a brincar na areia. E é tão dificil sentir o frio á minha volta, não sentir o calor das pessoas. Parecemos folhas a vaguear ao sabor do vento, meros corpos sem voltade própria. E é assim que me sinto, quando não te vejo e não te encontro quando te procuro. E essa rua apertada é o único siteo em que me sinto viva, porque é onde me misturo com as outras pessoas de olhar vazio e caminhamos á procura de algo que nos faça sentir bem.

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