Borboletas no estômago, amor
Gosto de saber de que cor é o chão que piso. Mas tu és diferente. Não és como todos os outros. Sabes aproveitar cada momento e sabes fazer-me sentir especial. Foi contigo que me deitei na relva molhada e, no silêncio percebi o que é que nos une. Amor, o que nos une é a forma como vêmos o mundo. Gostava de te ter conhecido antes, ou entao depois, daqui a uns tempos. Aí sim, seriamos tudo, mas não és tu que eu imagino quando fecho os olhos. Ah! Se fosses tu era tudo tão mais fácil. Gosto da maneira como me fazes sentir. Gosto da simplicidade do teu sorriso. Mas fazes demasiadas perguntas. Perguntas ás quais eu não sei responder. As palavras faltam-me e eu fico frágil. Mas não sei, deixei-me estar deitada na relva contigo, e falámos, falámos de tudo. E meu amor, a vida é isto. A vida é feita de pequenos momentos como estes. Momentos perfeitos em que sentimos que a outra pessoa nos completa. É sentir a relva molhada nas costas e pensar que o mundo era perfeito se tivesse mais momentos como estes. Mas as pessoas são falsas e não sabem aproveitar os momentos. Mas eu sei, e senti cada momento e cada palavra tua. E o estranho é isso, é a maneira como tu me completas, é a maneira como tu me olhas e falas. E é estranho eu não perceber porque é que não é contigo que eu sonho. Mas eu sei, amor, eu sei. A vida é injusta, e a carne é fraca e apesar de seres tu que me cantas ao ouvido, é ele que me faz tremer e me faz sonhar. Desejava apenas ter-te conhecido antes. Antes dele. Não sei como seria. Mas sei que seria tudo tão mais facil se fosses tu aquele que me dá borboletas no estômago. Mas não és. Amor, não és. E chamo-te amor, porque ao outro chamo paixão. Porque apesar de não teres crescido onde eu cresci, eu acho que te conheço desde sempre. Mas não, não conheço, e tu também não me conheces. Mas eu gosto de ti. Gosto de ti porque me fazes sentir as coisas mais simples e me fazes as perguntas mais complexas. E sinto que não precizo dizer nada, porque os nossos olhos dizem tudo. Mas não sei, amor, não sei. Não sei se estou preparada para ti. Não sei, porque, apesar de tudo, não és tu que me fazes sentir borboletas no estômago e outras parvoices assim.

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