Não sei como dizer, deixa-me falar-te de uma menina...

Não consigo explicar-te, parece mais fácil as lágrimas correrem no silêncio. Deixa-me contar-te uma história, um dia uma menina renasceu, construida de sonhos e de esperanças. Essa menina tentou, caiu levantou, voltou a cair, mas essa história tu já sabes. O que não sabes dessa história é a grande parte que ocupas. És o suporte central de uma vida mais ou menos estruturada. Não sabes ainda, ou então esqueceste, que essa menina se sente pequena e fraca. Está cansada de cair e sem vontade de lutar, e é de ti que precisa, do teu apoio de suporte principal. Deixa-me contar-te, como se não falasse de mim, da história de uma menina que se sente vazia por dentro, que anseia por mais e não sabe onde encontrar. Ouve-me falar dessa menina que jaz caida no chão, e percebe nas entrelinhas que é de ti que ela precisa para se levantar. Percebe que as tardes de sol não bastam, que o sol agora lhe parece frio, que se arrepia e aflige com as leves brisas, que está parada e não sabe por onde ir. Agarra-lhe na mão como se ela fosse pequenina, diz que as coisas vão ficar bem, diz para ela não ter medo e levantar-se do chão. Também ela tem monstros na cabeça e tu não sabes. Mas ela esconde-os e defronta-os no silêncio, fecha-os no quarto escuro e combate-os na sua mente. Afasta-se do mundo e não tem vontade de falar, os monstros devoram-lhe as palavras. Julga-se ás vezes mais forte que eles, até lhes sabe os nomes: dúvida, incerteza e medo. Chama-os pelos nomes quando os enfrenta, mas eles vão crescendo. E então jaz no chão essa menina, agarrada a outro orgão danificado. Esse ás vezes ela esquece o nome deixa-o de lado, pensando ser mais fácil. Deixa-me falar-te dessa menina que tem o coração frio de não sentir. Deixa-me falar dessa menina que precisa do sol de verão para fazer bater o coração. Agarra nela, dá-lhe aquele abraço de verão, aquele abraço de histórias. Deixa-me pedir-te, porque ela não consegue pedir, mais de ti, mais de nós.

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