Pôr-do-sol
Chegava a primavera e voávamos como pássaros. Libertávamos a mente e sonhávamos alto, para depois descermos levemente á realidade tentando tirar o maior proveito dela. Passavam horas a correr como se de segundos se tratassem. Arrastava-nos pelo dia a rotina frenética que nos tentava abafar. Corríamos loucos, aproveitando todos os momentos como se fossem os últimos. Havia em nós o desejo êxtasiante de liberdade, sorriamos com o toque da chuva e deitávamo-nos na relva molhada de olhos postos no céu. Eternos amantes da vida e dos seus prazeres gritávamos frases de ordem como hinos, amando cada momento de liberdade. Levavam-nos os dias apressados, e nós sorriamos sabendo-nos mais sábios que outros seres meramente mundanos. Fazíamos então os dias brilhar, mesmo quando a noite se aproximava.
Corri freneticamente levada pelas horas. Parei. Olhei o horizonte. Sorri. Ainda cheguei a tempo do pôr-do-sol.
Comentários
Enviar um comentário