Impulso
Fixo em ti o olhar enquanto divagas em pensamentos. Tiras-me o chão debaixo dos pés apenas com um sorriso. Impulsivamente percorro o teu corpo tentando perceber o que te faz tão apetecível. É como se já te conhecesse de outro qualquer momento, é como se me tivesses caído mesmo á frente, e nem de propósito, és a medida certa para mim. Ainda indeciso olhas-me nos olhos e arrancas-me um sorriso. Sabe bem sorrir assim, e contigo não é difícil. Nas curvas e contra curvas da vida tudo muda num segundo. E tu apareceste assim, de repente, e soubeste-me a cereja em cima do bolo. Foste o momento certo na viragem de um dia que muito teve de errado.
Tento adivinhar-te os pensamentos, mas desvias-te, deixando apenas escapar de vez em quando, pequenas frases em tom de confissão que te fazem transparente a meus olhos. Percebo-te os movimentos e reacções e apanho-te na curva do rio quando pensas que estás prestes a escapar.
Agarras-me na mão e levas-me por caminhos que não sei nem conheço, mas nada parece desconhecido, parece familiar estar perto de ti. Moves-te como se me puxasses para ti, és força da gravidade e eu sou corpo sem vontade de resistir. Perco-te entre as estrelas e encontro-te na luz de lua cheia, meio perdido, envolto no meu perfume que te puxa para mim.
Agarro-te as pontas e puxo-te outra vez para debaixo dos lençóis. Vejo dúvidas nos teus olhos enquanto pensas se saltas ou se ficas do lado sóbrio da vida. Ponderas tudo demasiado enquanto eu vivo no lado da impulsividade, falta-te a ti o que há demais em mim. Agarro-te pelos ombros e puxo-te para perto do meu corpo, brinco contigo como se já te conhecesse. Percorro o teu corpo fazendo dele meu, enquanto baixas as barreiras e me aceitas como um acontecimento inesperado. Prendes-me a ti, e sem pensar, és impulso tal como eu. Percorre os corpos o desejo e o sabor a tentação faz-te ficar junto de mim. O teu corpo parece conhecer o meu, cada impulso, cada arrepio, cada desejo. Os teus lábios dançam com os meus ao ritmo do desejo.
Acordo de manhã com o teu corpo encostado ao meu, ainda quente. Dormes profundamente enquanto eu, já desperta continuo sem perceber o que fez de ti objecto do meu desejo. Percorro-te o corpo e dou-te um beijo na testa, sabes-me a reviravolta inesperada e a perfeito final de noite. Encaixo-me no teu corpo, e sinto o teu cheiro como familiar, como se há muito dormisse contigo na cama apesar de não te conhecer. Tens em ti aquilo que me faltava em qualquer outro. Qualquer coisa que me liga a ti e que não se explica com palavras. Hoje desejo que o teu cheiro não se apague do meu corpo e que voltes para mim mais vezes, trazido por qualquer acaso ou destino.
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