Jogar
Continuas a não te preocupar com as regras, só o jogo te interessa. Foges de mim e eu fujo de ti, e no meio do jogo do gato e do rato cansamo-nos de correr e deixamo-nos cair. Também eu jogo o teu jogo de vontades e desejos, de instintos e prazeres. Escorrego pela parede e encontro-te no chão, cansado e a rir, como quem joga o jogo da vida. Puxas-me para perto de ti, junto do teu corpo, e eu jogo o teu jogo. Deixo-me levar na tua teia de desejos e brinco contigo neste jogo que é nosso. Fujo de ti e digo que não quero, não mais, não agora. Eventualmente acabo por voltar ao jogo, embriagada pelo teu cheiro e pelo teu sorriso. Corremos em círculos duvidosos despreocupados de razão. Agarro-te e rebolo contigo e tudo isto é jogo. Somos jogadores natos, tu sabes recuar e eu sei atacar os teus pontos fracos. Damos voltas no chão embriagados na dança dos corpos, brincando com o sentido de tudo e renegando o mundo para lá da porta. Levanto-me do chão e fujo de ti, brincamos por entre risos e jogamos um contra o outro, mas somos farinha do mesmo saco. Olho para ti sentado no chão, ofegante, agarrando-me nas pernas e sorrindo. Fazes do jogo a vida e eu acabo por entrar nele, arrastada pela tua embriagues de emoções.
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