Nostalgias Reflectivas

As músicas antigas fazem-me divagar no meio de grandes histórias. Instala-se então aquela nostalgia enorme que corrói e magoa por dentro. Aperta-se o peito contra os sentimentos e todas aquelas emoções das histórias passadas. Correm imagens pela minha cabeça, como filmes antigos com cores desbotadas e a sensação de desgaste cravada. Voam mil e uma conversas á volta dos meus ouvidos enchendo-me a cabeça de memórias que há muito tentei esquecer. Voltam sentimentos antigos como voltam as saudades, as incertezas e a revolta. Nunca nada pareceu tão certo e tão errado ao mesmo tempo. É como ter o passado separado do presente, embora tudo se ligue através de elos tão fracos como as memórias. É como se todas as grandes emoções, voltassem do passado, para me lembrar que ele existe e que tudo não passa de uma sucessão de acontecimentos. Seria então errado para mim pensar que nada se encontra ligado e que as coisas acontecem por acaso. Nada é tão frágil quanto parece, e o passado tem punho de ferro, e faz-se lembrar através das músicas que me entram pelos ouvidos.
É possível acreditar que as coisas não acontecem por acaso e que determinadas pessoas tinham mesmo que aparecer na nossa vida e que determinadas coisas tinham mesmo que acontecer. Todos os momentos contam, e até as más histórias servem para nos fazer crescer. Mas é nas boas histórias que me perco em pensamentos. São ilusões do que já foi, recriadas na minha cabeça e ás vezes transformadas em presente. É tudo o que sempre quis, na palma da minha mão, num mundo onde só eu posso chegar e onde tudo tem significado e nada é por acaso. É o conjunto de cada palavra e cada frase, e cada imagem e cada movimento, ondulando levemente na minha mente, e deixando um sabor a saudade na minha boca.
Libertam-se todas as emoções e tudo parece tão certo, tão perfeito. É a sensação de não quereres que esse sentimento acabe, apenas queres poder sentir-te completo e realizado, aproveitando e aprendendo com cada momento, mesmo com os erros.
Vagueiam pessoas dentro da minha cabeça, pessoas que significam e que me fizeram crescer, com bons e maus momentos. Do lado de fora tudo parece mais confuso, ninguém é verdadeiro com o que traz por dentro e ninguém se deixa levar, toda a gente tem sempre tempo para tudo, menos para viver. Tudo é muito mais verdadeiro visto por dentro, tudo o que realmente somos corre-nos nas veias e não nos acessórios que usamos. São memórias que me arrastam ao longo das músicas e dos pensamentos. São desejos não realizados e sonhos recalcados o que me faz repensar a vida e a forma como ela é vivida. Nada deveria ter tanto peso para nós como o verbo ser. Por vezes tentamos ser tantas coisas que nos esquecemos do mais importante, ser pessoa. Só assim poderemos pensar em nós como pessoas. Deixaremos então que todas as memórias corram como filmes diante dos nossos olhos ainda fechados, fazendo com que apenas o interior reaja. Saberemos então quando abrir-mos os olhos que todas as memórias felizes nos deviam fazer sorrir todos os dias, e que todas as memórias tristes nos fizeram crescer, e que assim até dos piores momentos tiramos algo de positivo. Seriamos assim muito mais leves para ser e agir como pessoas, aproveitando todo e cada momento e toda e cada pessoa.
Voam memórias como filmes, até os meus olhos se fecharem e o meu interior se libertar.

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