Trovoadas
A cabeça doía-lhe e as lágrimas caíam sem ela saber bem porquê. A sensação de vazio era enorme e o corpo dela tremia só de pensar na tempestade que se avistava ao longe. O corpo parecia pesar toneladas e os olhos mal se aguentavam abertos, estava cansada, como se não dormisse à séculos.
- Sabia que te ia encontrar aqui.
- Assustaste-me, nem te ouvi chegar. Como me encontraste aqui?
Ele olhou-a nos olhos, ela vestia-se de um branco transparente, envolta num brilho que lhe dava uma aparência irreal.
- Há quanto tempo não dormes?
Ela fugia-lhe ao olhar, sabendo perfeitamente que ele sempre lhe adivinhava os gestos e as palavras. Baixou o olhar, contemplando o pôr-do-sol reflectido na água daquele local tão único e escondido.
- Não sei há quanto tempo não durmo ... Há tempo demais, provavelmente. Não durmo desde que te vi sair de casa de malas e bagagens. Não durmo desde que deixei de te sentir aqui, perto de mim.
- Sabes que preciso de me afastar de vez em quando.
Ela não o conseguia olhar nos olhos, mantinha os olhos baixos com medo que as lágrimas se soltassem do peito descontroladamente, sem que ela as pudesse parar.
Respirou fundo.
- Tenho saudades tuas, e gosto de ti, e tu sabes, mas não quero que voltes para casa enquanto não souberes como é que arrumas as malas que levas por dentro. Não me quero enganar e muito menos quero que me enganes.
- Tu sabes que eu não tenho dúvidas quando estou perto de ti.
Ela voltou a respirar fundo, apertou as lágrimas para que nenhuma pudesse escapar, não agora, que ela estava a dizer tudo o que tinha atravessado na garganta.
- Já há muitas noites que não dormes em casa, talvez quando voltares nem a reconheças como tua ... Chega de incertezas. Não te quero em casa com essas malas desarrumadas.
Ele nada disse, nada mais havia para dizer. Vinha ai trovoada e ela lia os relâmpagos no horizonte.
Trovejou forte, ela deu duas voltas na cama e acordou. Estava farta de não dormir com pesadelos de futuro, tinha engolido angústia ao jantar e a sobremesa tinham sido desilusões fresquinhas. Deu mais duas voltas na cama, certa de que seria mais uma noite sem dormir.
- Sabia que te ia encontrar aqui.
- Assustaste-me, nem te ouvi chegar. Como me encontraste aqui?
Ele olhou-a nos olhos, ela vestia-se de um branco transparente, envolta num brilho que lhe dava uma aparência irreal.
- Há quanto tempo não dormes?
Ela fugia-lhe ao olhar, sabendo perfeitamente que ele sempre lhe adivinhava os gestos e as palavras. Baixou o olhar, contemplando o pôr-do-sol reflectido na água daquele local tão único e escondido.
- Não sei há quanto tempo não durmo ... Há tempo demais, provavelmente. Não durmo desde que te vi sair de casa de malas e bagagens. Não durmo desde que deixei de te sentir aqui, perto de mim.
- Sabes que preciso de me afastar de vez em quando.
Ela não o conseguia olhar nos olhos, mantinha os olhos baixos com medo que as lágrimas se soltassem do peito descontroladamente, sem que ela as pudesse parar.
Respirou fundo.
- Tenho saudades tuas, e gosto de ti, e tu sabes, mas não quero que voltes para casa enquanto não souberes como é que arrumas as malas que levas por dentro. Não me quero enganar e muito menos quero que me enganes.
- Tu sabes que eu não tenho dúvidas quando estou perto de ti.
Ela voltou a respirar fundo, apertou as lágrimas para que nenhuma pudesse escapar, não agora, que ela estava a dizer tudo o que tinha atravessado na garganta.
- Já há muitas noites que não dormes em casa, talvez quando voltares nem a reconheças como tua ... Chega de incertezas. Não te quero em casa com essas malas desarrumadas.
Ele nada disse, nada mais havia para dizer. Vinha ai trovoada e ela lia os relâmpagos no horizonte.
Trovejou forte, ela deu duas voltas na cama e acordou. Estava farta de não dormir com pesadelos de futuro, tinha engolido angústia ao jantar e a sobremesa tinham sido desilusões fresquinhas. Deu mais duas voltas na cama, certa de que seria mais uma noite sem dormir.

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