Hoje ou Amanhã
Mordem-me por dentro palavras frias e amargas, que se agarram aos sonhos e os transformam em pesadelos. Assombram-me de noite tempestades interiores que me deixam os sentimentos numa completa roda-viva. Nem a madrugada hoje teve a mesma beleza, foi apenas diferente e estranha aos olhos de qualquer outra pessoa que a visse nascer como eu vi. Soube a derrota, a batalha perdida e nem as gotas de orvalho me deixaram mais leve ou mais calma. É preciso saber aceitar o mundo e os outros e eu tento, e aceito. Hoje não vou insistir mais, vou deixar o tempo correr, vou deixar o tempo levar as palavras e vou-me deixar ficar muda, deitada no chão enquanto o sol avança penosamente do lado de fora da minha janela. Hoje, nenhuma palavra expressa completamente o que sinto, até as palavras me abandonaram e as poucas que me restam são insignificantes demais para aliviarem ou preencherem o vazio que me mói por dentro. Faz-me falta um sorriso, que não o meu que já perdeu o brilho faz tempo. Ocupam-me a cabeça perguntas difíceis demais para as conseguir responder. Vagueiam-me na mente demasiados pontos de interrogação e nem o sono me deixa dormir. Hoje queria poder deitar-me e fechar os olhos para o dia, amanhã com certeza tudo estará melhor (ou não.)
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