o amor já não mora aqui
Faz as malas. Sai. Fecha a porta atrás de si. O amor já não mora aqui. A casa está vazia e o silêncio é ensurdecedor. Acorda a vida fora que a casa já está morta. Já não há vida nem calor nessas paredes. O mundo lá fora é estranho e ao mesmo tempo bom, vazio de tão cheio que é. Impessoal como só a vida consegue ser rola pelos dias como se nada se passasse e a casa ainda fosse habitada. Nada muda na vida cá fora enquanto morre a vida lá dentro. Nada nesta calçada cheia de gente é tão gratificante como o que foi perdido. Nessa casa abandonada onde já só moram fantasmas, soam ruidos de amores perdidos e de quem os abandonou. Mais vale a casa vazia do que mal habitada. Há nela agora a tranquilidade do repouso do peso de já não ter e a pressão de já não ser. Corre tranquila a vida apesar de o amor já não morar ali.
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