Fazes me falta. Como se perdem as palavras? Como se morde a alma? Como se tira de dentro tudo o que teima em ficar? Como se perde a capacidade de verbalizar e extrair? Porque é que se acumula na alma todo o peso dos dias? Como é que tiro de dentro este nada que em dias é tudo? Como se para a tempestade e o turbilhão dos pensamentos? Porque é que é ciclico como a lua, este meu vazio cheio dentro de mim?
Eu sei. Eu sei. Mordes as palavras e marcas-as por dentro. Eu sei. Eu sei que és tu que te enches de vazios pesados e que atormentas o teu ser. Eu sei. Eu sei que és tu. Cada ciclo. Cada vazio cada cheio. És tu. Eu sei que és tu que te amarras a isto. Aqui. A este quarto sempre cheio e vazio, que te atormenta e te tirao ar, sem te deixar ser. Eu sei que és tu todos esses monstros que tens dentro de ti. És tu que alimentas todo esse ruido que trazes na tua cabeça. Mordes e amarras as palavras, ciclicamente.
Diz me, há quanto tempo nao falas? Há quanto tempo nao deixas todos esses monstros sair?

Comentários

  1. É uma reflexão muito parecida com uma que já escrevi, guardamos uma enorme carga psicológica em nós, às vezes difícil de suportar, e, simultaneamente, há um vazio muito incomodativo e uma grande inquietação. Às vezes mais vale apenas observar, sem nos identificarmos com isso, deixar o turbilhão de pensamentos e sentimentos apenas existirem e extinguirem-se por si...

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