Afinal, sou eu quem não tem estado cá.
A minha porta tem estado aberta, mas a minha mente tem estado vazia.
Faz-se um fantasma sem reacção passar por mim.
Não tenho andado de olhos fechados, mas a minha consciência parece-me dormente.
Faz-me falta isto e aquilo. Mas nem isto nem aquilo me faz feliz.
Batem portas na minha cabeça, como gritos.
Corre gente de todos os lados e atropela-me o mundo.
Pesam-me os segundos e as horas.
Este ar nunca foi tão difícil de respirar.
Faz-me falta. Faz-me muita falta. Fazes-me muita falta.
Martelam vozes a minha cabeça.
Nunca esta presença foi tão ausente.
Nunca este meu ser pareceu tão etéreo como agora.
Vagueiam palavras sem sentido como se não soubesse mais comunicar.
Pesam-me as palavras no corpo como pedra.
Como se caída no chão me atropelasse toda a correria mundana.
No chão. Como se nada fizesse sentido á minha volta.
Como se estes olhos que olham não fossem os meus.
Estranho. Como se tivessem tirado de dentro de mim o coração da minha alma e tudo o resto estivesse em colapso.
Colapso. Faz-me falta a quietude das coisas que estão bem onde têem que estar.
Massacra-me todo este não te ter. Tira-me o ar.
Fazes-me falta. E eu grito na minha cabeça.
Porque falta algo. Falta sempre algo. Sempre faltou algo.
Mas agora falta demais. Fazes.me falta demais.
Como se me quisesse consciencializar disso a cada minuto, mais grita a minha alma.
Cala-me a boca. Porque não respiro. E não sei como não sentir falta do coração, de mim.
Fazes-me falta. Como se nada mais estivesse certo aqui e tudo não passasse de um sonho estranho.
Aqui, sem ti. Fazes-me falta, e essa falta está marcada em mim .

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