Monstros
Apercebo-me agora que entrei neste jogo para perder. Apostei todos os Ases que tinha, mas todos os meus movimentos apenas tiveram consequências negativas. Entrei neste jogo para bater com a cabeça, para duvidar de mim, para me sentir cada vez menos eu. Procurei, em vão, alguém que me podesse dar mais, ser mais. Apostei em todos os cavalos errados, perdi-me neste jogo doentio.
As luzes estavam acesas e havia holofotes por todo o lado. Os olhos cegavam com o brilho, apenas se ouviam risos. A luz diminuiu, vislumbravam-se agora milhares de silhuetas com o dedo apontado. Eram de escárnio essas gargalhadas.
Pisava a alma a cada passo, caminhava soturnamente, desajeitadamente apressada enquanto escondia as lágrimas.
Sentada no chão com a cara escondida gritava. Sozinha. As luzes estavam apagadas, não se ouvia mais ninguém. Ninguém. Respirou fundo e a voz calou. Nada se ouvia. Ali, nela e com ela, apenas vazio.
Caminhava apressadamente. Desejava mais que tudo chegar e ser feliz. Mas quando chegou o monstro apareceu. Esse bixo que a corrói por dentro, mais do que a sua figura mortal, o seu fantasma actua na sua mente de forma implacável. Desejava ficar e ser feliz, mas esse montro não a deixa ser ela. Traz de volta outros monstros ja combatidos. Travam-se batalhas que a magoam por dentro e por fora. Por isso fugiu.
Ainda que acompanhada sentia-se só. Apesar de querer sorrir, o seu sorriso parecia-lhe frio.
O barco abanava descontroladamente. Do mar revolto surgiam Adamastores furiosos. Agarrava com desespero o mastro principal, a silhueta balançava perigosamente. Previa-se um naufrágio e os Adamastores aguardavam-o sequiosos por esse pedaço de gente lançado ao mar.
Hoje precisava de gritar. Esperei receber em troca aquilo que dei. E dei muito, de mim. E o tão pouco que restou parece agora o nada que recebi em troca.
Sejamos sinceros como pessoas crescidas. Chega de jogos e de brincadeiras. Vocês não são torres que podem passar por cima de peões, nem rainhas com poderes vantajosos. Vocês são peões, como eu, porque é que haverão de usar máscaras de superioridade?
Hoje precisava de dizer muito que não disse e então escreveu. Sentada no chão do quarto afastou o mundo. Desejou fugir e sair dali, já há muito o desejava.
As pessoas á sua volta estavam cada vez mais distantes. Aproximavam-se montros passados e presentes, e os seus pedidos de ajuda eram sempre ignorados. Avistavam-se pessoas, familiares ou não. A praça estava cheia, mas ninguém a levantou do chão.
As luzes estavam acesas e havia holofotes por todo o lado. Os olhos cegavam com o brilho, apenas se ouviam risos. A luz diminuiu, vislumbravam-se agora milhares de silhuetas com o dedo apontado. Eram de escárnio essas gargalhadas.
Pisava a alma a cada passo, caminhava soturnamente, desajeitadamente apressada enquanto escondia as lágrimas.
Sentada no chão com a cara escondida gritava. Sozinha. As luzes estavam apagadas, não se ouvia mais ninguém. Ninguém. Respirou fundo e a voz calou. Nada se ouvia. Ali, nela e com ela, apenas vazio.
Caminhava apressadamente. Desejava mais que tudo chegar e ser feliz. Mas quando chegou o monstro apareceu. Esse bixo que a corrói por dentro, mais do que a sua figura mortal, o seu fantasma actua na sua mente de forma implacável. Desejava ficar e ser feliz, mas esse montro não a deixa ser ela. Traz de volta outros monstros ja combatidos. Travam-se batalhas que a magoam por dentro e por fora. Por isso fugiu.
Ainda que acompanhada sentia-se só. Apesar de querer sorrir, o seu sorriso parecia-lhe frio.
O barco abanava descontroladamente. Do mar revolto surgiam Adamastores furiosos. Agarrava com desespero o mastro principal, a silhueta balançava perigosamente. Previa-se um naufrágio e os Adamastores aguardavam-o sequiosos por esse pedaço de gente lançado ao mar.
Hoje precisava de gritar. Esperei receber em troca aquilo que dei. E dei muito, de mim. E o tão pouco que restou parece agora o nada que recebi em troca.
Sejamos sinceros como pessoas crescidas. Chega de jogos e de brincadeiras. Vocês não são torres que podem passar por cima de peões, nem rainhas com poderes vantajosos. Vocês são peões, como eu, porque é que haverão de usar máscaras de superioridade?
Hoje precisava de dizer muito que não disse e então escreveu. Sentada no chão do quarto afastou o mundo. Desejou fugir e sair dali, já há muito o desejava.
As pessoas á sua volta estavam cada vez mais distantes. Aproximavam-se montros passados e presentes, e os seus pedidos de ajuda eram sempre ignorados. Avistavam-se pessoas, familiares ou não. A praça estava cheia, mas ninguém a levantou do chão.
Comentários
Enviar um comentário