O Principezinho

A noite levou-me até ti, envolta numa neblina de pensamentos, deixei-me ficar. Aceitei-te ali, sentado nas escadas á frente de mim. Fui-te lendo os gestos, embora não percebesses. Nada parecia certo e eu rebentava sem dizer o que tinha a dizer. Perdi-te quando te ti-ve, e perdi tudo o que lembrava bom em ti. Mas por baixo dessa capa de aparências ainda te reconheci, apenas por uma palavra. Desculpa. Vi nos teus olhos o pequeno príncipe que um dia conheci, e que pensei estar perdido no meio de tantos mundos de aparências. Vi em ti o menino que sonhava e queria ser e fazer. Sonhos de liberdade que pintas nas paredes e ideais idealizados á medida do teu mundo.
Ouvindo um suspiro o principezinho levantou-se, olhou a raposa nos olhos e sem saber bem o que dizer sorriu. Aquele momento apanhou a raposa de surpresa, há bastante tempo que já não via um sorriso assim, tão perfeito e encantador.
- Olá, quem és tu e porque sorris?
- Eu sou o príncipe e hoje descobri quem realmente sou. E tu quem és, e porque não sorris?
- Dizem que sou uma jovem raposa, mas ainda não me descobri verdadeiramente.

- Deita-te aqui na relva, acredita que tudo se torna bastante mais fácil.

A jovem raposa sorriu, nunca vira tanta sabedoria numa criatura tão pequena e simples.
- Ainda não encontrei o que procuro, e por muito que queira não sei se é aqui que o vou encontrar ... Nem tudo é assim tão simples como deitar na relva, sabias meu príncipe? A vida é tão mais complicada que isso, mas a seu tempo tu o irás descobrir, a seu tempo irás ver ...
O príncipe continuou a sorrir.
- Nem tudo tem que ser tão complicado como isso, sabias? Quando menos esperares o que procuras vai-te encontrar.
A raposa olhou o pequeno príncipe e, sem pressa, aproximou-se dele e deitou-se ao seu lado. Sentia o seu corpo cansado a implorar por descanso, mas o medo de errar fazia-a fugir. Já há muito que sabia que precisava de parar, mas já tinha sido magoada demais para o fazer sem pensar bem. Sentindo o perfume fresco do príncipe já nada parecia importar. A raposa nada disse, querendo apenas congelar aquele momento, para que nunca se esquecesse daquele pequeno rapaz com sorriso de anjo que nunca a ia tirar do coração.
- Enquanto ficares será sempre tempo de partir, não precisas de partir já.
- Queria sentir tudo assim tão simples meu pequeno, mas ainda não é tempo de ficar, agora é ainda tempo de partir.

- Amanhã poderá ser tempo de voltar, eu não tenho pressa, e ficarei aqui a assobiar para que possas sempre descobrir o caminho até mim.

Dito isto olhou nos olhos da raposa e sorriu, ela deu-lhe um beijinho na testa e partiu, sentindo que um dia mais tarde quando encontrasse aquilo que procurava ou finalmente se cansasse de procurar, voltaria a correr para o lado daquele pequeno grande príncipe com sorriso de menino.

 Encontrei-te de novo, depois de uma caminhada de conflitos. Apesar dos erros, nunca nada é assim tão errado, e houve em nós muito de bom. Não foi em vão, não idealizei o príncipe que vi em ti, não era falso, eras tu. E só isso faz com que nada tenha sido em vão.


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Comentários

  1. Eu gosto bastante do teu.
    Gosto da forma como te expressas :)

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  2. Ainda bem que acabou a nossa rivalidade.Estava destinado a acontecer,pois tu tens uma intolerancia a erros,e eu uma tendencia a comete-los.Mas ainda bem que ja passou..Beijinhos,e ate amanha.

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