Amar demais
O meu problema é amar demais. O meu problema sempre foi amar demais. E é por isso que eu sofro (demais). É por amar tudo e todos que sofro, porque amo tão cegamente que não consigo ver até onde vai o amor correspondido. "É menos cego o que não vê, do que aquele que não quer ver." E eu devo ser do conjunto das pessoas ingénuas que ainda ama de corpo e alma e coração e veias e artérias e se esquece de acordar de vez em quando para verificar se está alguém do outro lado da linha. É como se tudo isto fosse uma grande conversa telefónica, porque a meio a chamada cai ou a outra pessoa perde o interesse. E é assim, eu continuo entretida, e só passado muito tempo é que reparo que a chamada já acabou á umas horas e eu continuei a avançar sozinha. E entre nós foi assim. Falamos durante longas horas, e eu disse tantas vezes que te amava que tu te perdeste a meio. Fugiste ao longo da linha, e eu não reparei. Continuei a dizer que te amava, mas derrepente comecei a ouvir-te muito longe. Corri pela linha atrás de ti, mas não te alcancei. Estavas mais longe que os sonhos e eu amava-te ate ao céu. Amei-te tanto que te perdeste na imensidão das palavras, e quando te encontrei já não eras a mesma. Já não eras tu, mas eu também já não era eu. Tanto tempo de procura fez-me esquecer aquilo que procurava, e quando (te) encontrei soube-me a pouco. É o problema das pessoas que amam demais, nunca acham que as outras as amam o suficiente (e por vezes temos razão ! ). Não sei. Sei que te perdi. Mas é por (te) amar demais que ainda hoje penso em voltar atrás, esquecendo tudo o que construi sem ti. É por (te) amar demais que ainda sinto vontade de te agarrar, e é por te amar demais que ainda me sinto mal quando não vejo o teu sorriso e sei que algo se passa. E por vezes deito tudo a perder, e tenho vontade de correr para ti e dizer-te que ainda te amo (demais) como sempre te amei.
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